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Juvenis 2012 e diferenças entre Bicos de Lacre clássicos, mutações e Faces Laranja

O ano de 2012, aparte de algumas baixas importantes e inúmeros ciclos de experiências… tem sido definitivamente um ano “generoso”. A imagem superior corresponde a uma foto parcial de uma das minhas voadeiras com os Guarda Marinhos, da subspécie subflava subflava. O macho que aparece com a muda quase feita não apresenta qualquer vestígio “verde” ou outro tipo de manchas no peito. Terá certamente uma óptima cor…. mas já viram o tamanho das duas aves desfocadas em cima ao lado de um juvenil de Bico de Lacre de Bico Preto em plena muda? Já viram o porte? A imagem não o ilustra bem… mas é o que acontece quando “limpamos linhas”. Muitas das aves que aparecem em exposições pertencem à subespécie Clarkei como tenho vindo a referir. Atrevo-me a dizer que mais de 90% dessas aves são, como refere um amigo meu… “Manequins” aves que estão comprometidas a nível genético uma vez que são aves resultantes de cruzamentos entre subspécies, mas que são aves “bonitas” para exposição. Este ano faço questão de apresentar a minha linha talvez em duas exposições nacionais, para que os criadores possam ver com os seus olhos aquilo que eu tento aqui explicar. Posso dizer com toda a segurança que as duas aves em cima atingem mais 35 a 40% do porte comum da espécie. Se conseguir ter uma boa cor… terei aves de elite.

Uma das primeiras crias de Face Laranja desta época… apesar de ser um juvenil (provavelmente um macho), já viram a extensão e intensidade da face? Este é o resultado de trabalho de uma das minhas linhas de Faces Laranja. Cobrir as anilhas com fezes das aves, é uma de muitas estratégias a ter em conta quando trabalhamos em cria directa e queremos reduzir qualquer tentativa de expulsão das crias do ninho por parte dos progenitores.

Nesta fotografia aparecem dois Bicos de Lacre (à esquerda) e um Face Laranja (à direita). Como distinguir os juvenis entre si? Se repararem com atenção, os pontos brancos que aparecem no bico ( designados de diamantes) são mais proeminentes nas crias de Bico de Lacre que no Face Laranja. Na verdade e nos Faces Laranja, estas são mais discretas. Na imagem apresento 3 aves exactamente com a mesma idade. Não notam qualquer diferença na ave do meio? Tom da cor de pele? Trata-se da minha jóia da coroa 2012… uma de duas crias de uma experiência com os Bicos de Lacre e a primeira mutação já fixada cá em casa (para já… espero que sejam mais). Não sei ainda bem qual será o resultado, mas é isto que me mais me fascina na criação de aves… a imprevisibilidade. Terá de ser obrigatoriamente uma espécie de diluição. As melaninas serão discretas e a cor vermelha será menos extensa, mas mais notória devido ao contraste claro da cor da ave. Isto são as minhas suspeitas… espero enganar-me ou lá se vai a imprevisibilidade.

Mais duas rodadas de Guarda Marinhos

Este ano têm sido aos trios as ninhadas de Guarda Marinhos. Esta é uma ninhada ímpar e uma fotografia antes do momento da anilhagem… os progenitores, são pais 6* Michelin. Nunca tinha visto uma ninhada com a pele tão esticada ao corpo… com anilhas 2.00 tive de anilhar as crias com 5 dias de vida e numa ave quase que não passava. Hoje (30 de junho de 2012) tive a primeira ninhada de 4 Guarda Marinhos, mas por poucas horas… ao tentar verificar o ninho um dos progenitores saiu imediatamente do ninho e arrastou uma das crias consigo, que teve uma queda de 2mts… e teve também morte quase instantânea.

Neste momento o total de crias de Guarda Marinhos é de 10.

 

 

Rhodopygas 13 – Fernando 4

O resultado até parece péssimo, mas apesar de parecer que não vou passar da fase de grupos… este resultado para mim dá-me acesso à final. Depois de voltas e mais voltas, experiências e mais experiências, consegui ver finalmente a cor da primeira cria de Rhodopyga. É estranho, apesar de ser um bico de lacre quase comum, a vocalização das crias deve transtornar a grande maioria das aves por onde passou e o resultado é… picam os ovos quando as crias estão a eclodir, resultando na morte das mesmas…

Neste momento já conto com 4 crias de Bico de Lacre de Bico Preto. A penúltima experiência permitiu-me ver nascer uma cria e com a última nasceram 5, mas apenas 3 permanecem vivas. Apesar dos resultados, não só consegui apanhar “mais ou menos o jeito” como ainda evoluir.

As crias permanecerão sempre com o bico preto, a novidade é que a listra ocular nas crias é negra, ficando posteriormente vermelha. Esta fotografia é representativa de uma ninhada pouco provável. 1 Bico de Lacre de Bico Preto e um Guarda Marinho com apenas 3 dias de diferença. Já é possível verificar os reflexos “avermelhados” na cria. Para variar deverá ser uma fêmea… Em relação aos Guarda Marinhos conto com 8 crias no total. Exceptuando os Faces Laranja as aves estão agora a arrancar com a época de reprodução em força.

Mais ninhos e balanço inicial época 2012

As épocas de reprodução são sempre uma incógnita e por vezes as aves que mais desejamos são aquelas que nos proporcionam os maiores desafios… e as maiores frustrações. É isto que se passa exatamente com o Bico de Lacre de Bico Preto (Estrilda rhodopyga) pois o seu temperamento calmo, adivinhavam resultados positivos na minha coleção de aves. Enganei-me redondamente pois em 11 possibilidades de vingar crias falhei em todos os testes. Apenas consegui ver como são as crias numa última postura e porque foram incubados pelos Bengalins da Índia… A cria directa está afastada esta época, pois a incubação é totalmente irregular o que só por si já resultou na morte de vários embriões… talvez como disse um amigo meu, por as aves ainda não estarem completamente adaptadas ao nosso clima, mas também se assim fosse, não teria ninhos nem mais de 90% de índice de fertilidade. Neste momento tenho mais dois ninhos e já começaram as posturas… restam mais duas tentativas antes de uma última cartada.

Da pesquisa que realizei pela internet e de um e-mail que enviei, são das Estrildas mais difíceis de criar… foi-me dito que “talvez mais que o Cauda de Vinagre”. Apesar da frustração que sinto, é a primeira vez que encaro tal desafio… quero ser o primeiro a escrever sobre esta ave e em Português. É primeira vez que tenho um índice de mortalidade de crias de 100%, nem os Faces Laranja no primeiro ano me deram tanta luta. Resta esperar por mais desenvolvimentos.

 

Juvenis com 18 dias

3º Ninho 2012 

Por outro lado as aves que esperamos que nos dificultem a vida, são aquelas que nos surpreendem. De duas ninhadas de Guarda Marinhos [Amandava subflava subflava (subespécie totalmente cor de fogo e mais vistosa que as outras 4)] e de um total de 6 crias iniciais, tenho agora apenas 4 crias… estão todas agora no mesmo ninho. Um dos casais não alimenta bem as crias face a um outro casal que é 6 estrelas “Michelin”. A mudança de alimentação e ninho resultou em penas brancas nas rémiges (indicação de uma carência a nível de lisina, metionina e outras “ina’s”. A cria mais pequena é de outra ninhada e parece ser um jovem macho. As crias nasceram no mesmo dia, mas é visível a diferença. Este macho consegui safá-lo do mesmo destino dos irmãos. Esta despigmentação não é grave uma vez que a ave assume a cor selvagem já durante a primeira muda.

Enquanto estes juvenis já anilhados se preparam para abandonar o ninho, já o casal cujas crias estão a ser alimentadas pelos vizinhos, iniciou novo ninho (acima) e já conto com mais 4 ovos.

Ninho com 3 crias

2º Ninho em construção 

Se existe uma ave que nunca me deixa ficar mal é o Bico de Lacre. De uma postura de 4 ovos conto já com 3 crias bem nutridas. É o resultado claro de uma linha de aves criada em cativeiro, meigas, dóceis e com um genótipo de elevado nível e altamente controlado. Tenho uma linha de fêmeas muito boa e espero dentro de 3 a 8 anos apresentar uma linha de machos ao mesmo nível para concorrer a nível individual. Para já de 12 a 15 aves (que são as que faço questão de criar e não mais) podemos ter a sorte de ter 1 ou 2 aves para concorrer a nível individual, ou até nenhuma… vejo muita gente com boas aves maioritariamente de primeira geração (aves capturadas a criar pela primeira vez) nascida  em cativeiro, mas à medida que os anos passam perdemos porte, cor e depois começa a verdadeira seleção. Assim é difícil apresentar equipas… talvez muitos pensem que é fácil ganhar em Equipas, mas tentem trabalhar uma linha harmoniosa… o fácil está em ter uma muito boa ave e não 12.

Para além das crias, conto com mais um ninho em construção como podem ver pela imagem acima.

Nota: Os Bicos de Lacre são os primeiros a inaugurar as novas instalações com ninhos e crias.

Os Faces Laranja deverão iniciar a época de reprodução dentro de um mês (fins de Junho), assim que o clima atingir temperaturas ainda mais elevadas e quando existir alimento vivo em abundância entre outros. A época passada correu bastante bem… mas este ano acredito que será muito diferente, pois perdi a fêmea do casal mais importante e responsável por 12 crias no meu plantel.  As outras 6 pertencem a outros dois casais, para terem uma ideia de média por casal. Neste momento os Faces Laranja não têm segredos para mim. Vamos ver se os machos continuam bons “Engenheiros Civis”, que a seguir as fêmeas encarregam-se do resto. Fica aqui uma foto de uma cria do ano passado criada pelos próprios pais.

No ano passado um trio foi responsável por 20 crias… mas a fêmea B morreu sem causa aparente no meio da primeira ninhada. Este ano sacrifiquei duas posturas sem qualquer êxito devido a uma experiência com os Rhodopygas. Nenhuma ama aceita as crias e os Bengalins da Índia foram os únicos que deixaram eclodir crias, mas mesmo assim picaram dois ovos. Neste momento vou deixar que o casal siga o curso normal sem mais experiências e esperar pelos primeiros Amandava amandava de 2012. Não farei mais participações com esta ave em exposições, salvo alguma nacional. Fica a foto da fêmea a espreitar do ninho…

Número total de casais para 2012: 3 Bicos de Lacre + 4 Faces Laranja + 2 Bicos de Lacre de Bico Preto + 2 Guarda Marinhos + 1 Bengalim da Índia = 12 casais;

Número Total de Crias 2012: 4 Guarda Marinhos + 3 Bicos de Lacre = 7 crias.

Estou a preparar remodelações no Blogue para o final do ano, com artigos inéditos e completos sobre espécies, fotografias e notas novas.