“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.” :: Centro de Reprodução de Estrilídeos
Após 14 anos a reproduzir as aves de que tanto gosto, num espaço que não reunia definitivamente as condições ideais… decidi dar um passo essencial à continuação do meu trabalho… finalmente avançar com umas instalações dignas.
Apesar de ter conseguido nos últimos anos resultados acima da média em termos de números e conquistas, as minhas instalações não estão minimamente preparadas para o Inverno, devido à grande falta de isolamento e excesso de humidade. Corro sempre o risco de perder aves importantes para o plantel do ano seguinte, entre outros… já tive aves à lâmpada e mantive-as vivas com recurso a seringa… não quero voltar a passar por isso.
O novo espaço tem cerca de 40mts quadrados e será transformado num centro de reprodução de estrilídeos, isto porque não pretendo cingir-me apenas às aves conhecidas como “Bicos de Lacre” (Estrildas), estou a criar condições para outros pequenos exóticos, especialmente os raros e difíceis de criar.
Contará com uma secção de: 7 viveiros de 1mt de largura x 2,2mt de altura x 2mt de comprimento;
1 viveiro misto, ou seja, um viveiro interior (1,60mt de largura x 2,2 de altura e dois de comprimento) com acesso a um viveiro exterior com vegetação natural e água corrente (2,1mt de altura x 2,90 de comprimento e 2mt de largura), este será um espaço que pode ser usado tanto para reprodução como para muda.
Terá ainda um viveiro de 2,2mt de altura x 2,60mt de largura x 2mt de comprimento, também com acesso a luz solar directa, mas indoor.
Por último, um local onde ficarão as baterias de gaiolas pequenas (viveiros duplos).
Não escolhi viveiros por ser mais fácil, sou muito rigoroso e metódico com as minhas aves mesmo em viveiros. Desengane-se aquele que pensa que as aves devem ter mais atenção na época de reprodução. Não deixa de ter um pingo de verdade, mas um bom criador é aquele que se preocupa com as suas aves 365 dias por ano e não quando está a chegar a época de reprodução.
Não vou colocar para já fotos do espaço, fica o convite a quem me quiser visitar a mim e às minhas aves no futuro. Neste momento está a meio gás. O espaço está pronto e pintado, em breve vão começar com a construção dos viveiros.
Gostaria de deixar uma advertência, se calhar vão-me chamar arrogante… não faço questão de receber visitas durante periodo de reprodução (salvo amigos chegados). Já não é a primeira vez que recebo “chicos espertos” que só vêm criticar, mas que depois de tanto criticarem copiam as técnicas dos outros.
Muitas das aves familiarizam-se tanto ao seu “tratador” que podem do nada abandonar os ninhos devido à presença de pessoas estranhas, não é a primeira vez que isso me acontece.
É claro que existe sempre a dualidade dos factos. Face a um investimento tão avultado, vi-me obrigado a ceder o meu casal de Caudas de Vinagre e outras aves (extremamentes importantes para mim), mas sem sacrifícios não há vitórias… será um “até já” pois no próximo ano tenciono fazer aquisições de força.
Com a carga de conhecimentos que acumulei ao longo dos anos e sem as devidas instalações iria acabar por estagnar… tenciono dar o passo seguinte e evoluir. Poderei perder um ano, mas este passo vai-me permitir evoluir muito mais e rapidamente.
Tri Campeão do Mundo em Equipas e medalha de prata… com sabor amargo.

Finalmente de regresso a Portugal. É com prazer que anuncio que conquistei a medalha de ouro e prata em Equipas. Penso que conquistei o mais difícil, que é a continuidade e manutenção da minha especialização nos Campeonatos do Mundo. Contudo estas medalhas trazem um sabor amargo, uma vez que as gaiolas providas pela organização não estavam de todo preparadas para pequenos exóticos, perdi algumas aves. Foi a primeira vez que tal coisa me aconteceu, mas não foram só as minhas…. quando até um Bengalim do Japão consegue fugir… penso que está tudo dito. Duas aves que me fugiram conseguiram recuperá-las antes dos julgamentos, mas com um preço alto, pois ficaram sem rabo e assim… longe ficou o sonho das 4 medalhas que estavam totalmente ao meu alcance.
Perdi ainda um Face Laranja que não resistiu à viagem de regresso, mas o pior cenário estava para chegar…. mais de uma semana ausente de casa resultou na morte dos meus quartinias e um rhodopyga… as palavras de nada servem para descrever o meu estado de espírito. É claro que tive quem me tratasse das aves, mas nunca é igual… é preciso ter sensibilidade e conhecimentos para atuar no momento certo.
Os grandes campeonatos dão grandes dores de cabeça…
Finalmente as aves foram entregues à Federação Ornitológica Nacional Portuguesa (FONP) em Balasar, Póvoa de Varzim. Para mim não foi o melhor dos meus dias… pois quanto mais o tempo passava, mais dissabores tinha… aves que estão a começar a mudar e foram substituídas por aves de menor qualidade… penas estragadas… rabos estragados… expectativas por água a baixo… muito em parte a culpa é essencialmente minha, pois ultimamente o Magazine Ornitológico tem absorvido todo o meu tempo. É irónico não é? Trabalho todos os dias para levar a bom porto a ornitologia nacional e internacional e acabo por não ter tempo para as minhas aves…
Não adianta pensar mais nisso… mas a perspectiva a medalhas reduziu drasticamente. Quando tinha grandes chances para fazer deste o “meu mundial”, penso que agora as aves forma fazer um “passeio de ida e volta” a Espanha. Nem quero pensar no que os juízes vão pensar assim que se depararem com a minha equipa de amandavas. Aquilo já não é uma equipa… é uma coisa qualquer graças aos defeitos de alguns membros… ainda por azar não tinha aves para substituir pois apesar destas aves serem todas de 2011, não tinha anilhas que chegasse e tive de recorrer às sobras de 2010. Se esta equipa não for desclassificada ou declarada não julgável, só por si este facto já é digno de uma medalha de “latão”. Vamos esperar para ver…
Para a semana e se tiver internet, já dou novidades.
O 60º Campeonato do Mundo de Ornitologia já espreita…

Estou neste momento a ultimar os preparativos para mais um Campeonato Mundial de Ornitologia, neste caso, a minha 6ª participação pessoal (em 2002 participei na Bélgica, mas a forma como as minhas aves foram transportadas levou-me a não participar mais até 2010). Com muito pouco tempo e ainda muito a fazer (últimos banhos, limpezas de bicos e de patas, substituições de última hora, preparar a transportadora, etc.) já se avizinha o Mundial que terá como palco Almería, em Espanha.
Este ano é sem dúvida a minha maior aposta, nomeadamente com 22 aves a concurso, é verdade… vou tentar roubar medalhas aos Espanhóis com 22 passarinhos. Inicialmente inscrevi 3 Bicos de Lacre e 3 Faces Laranja que vão concorrer individualmente; 2 Equipas de Bico de Lacre fêmeas + 1 Equipa de Faces Laranja, também fêmeas. Contudo, já se sabe à partida que podem ocorrer alterações… e é exactamente nisso que estou centrado neste momento. Já não vou poder levar a minha Equipa de Faces Laranja, pois tenho mais que uma ave com problemas de plumagem, mas vão ser substituídos por uma Equipa forte de Bicos de Lacre: nada mais nada menos que 3 elementos Campeãs do Mundo em Tours e uma irmã. Uma fêmea especial (que fez parte da Equipa Campeã) tendo 93 pontos no ano passado, vai concorrer este ano individualmente, substituindo o meu melhor macho de porte, que está a começar a mudar.
Sobram 2 machos Bicos de Lacre, um bom na linha de desenho e outro na linha de cor. Espero não ter de os substituir, pois posso dizer adeus a medalhas. Como já referi, vou apresentar 3 Faces Laranja, neste caso os que estão perfeitos de plumagem. Este tipo de aves tem um problema, a muda definitiva coincide sempre com os Mundiais. Todos mudam, uns mais tarde, outros infelizmente mais cedo. Apesar de gostar muito dos Faces Laranja, vou estar a torcer pelos Bicos de Lacre. Em Matosinhos um macho meu derrotou 2 Caudas de Vinagre da linha de Paul de Nil, que é para mim o maior e melhor criador de exóticos da Europa. Quem se lembra dos Caudas de Vinagre do Fernando Faria, sabe do que falo. Espero voltar a repetir a façanha contra os meus Faces Laranja, é sinal que a minha linha é fortíssima.
Para além dos Bicos de Lacre e Faces Laranja, vou concorrer com uma Equipa de Bengalins da Índia. As aves não estão a 100%, mas espero que dê para chegar ao Bronze. Este ano vou ter o privilégio de acompanhar o Mundial em tempo real, nomeadamente os julgamentos, pois vou estar lá a trabalhar. Em jeito de conclusão, concorro com 22 aves, para 7 medalhas. Não acredito chegar às 7, mas quem sabe 3. Sei que de Espanha vou contar com mais 3 Bicos de Lacre e destes lados, o meu amigo Mário Cabalu, vai levar 2 Faces Laranja. Pelo menos a classe F2-34 vai contar com 11 aves (espero que mais), algo que não acontecia há muito tempo. Em 2001 quando me consagrei Vice Campeão do Mundo, tive 16 Equipas concorrentes para além da minha e em individuais (não participei) eram cerca de 40. Claro que isto era antes do embargo da exportação de aves exóticas, mas eu continuei com o meu trabalho. 11 anos depois da minha primeira medalha num total de 4, tenho esperanças. Agora resta esperar.
Aquisições para o plantel 2012 :: Guarda Marinhos e Bico de Lacre de Barriga Amarela
Não era para me meter nesta guerra mas tive a sorte de descobrir os dois melhores casais de Guarda Marinhos, que jamais tinha visto. Pertencem à subespécie amandava subflava subflava.
A grande maioria dos Guarda Marinhos que aparecem em exposição são o Amandava subflava clarkei (existem cerca de 5 subespécies). Esta é a espécie dominante no que diz respeito a concursos. Enquanto os clarkei são mais marcados lateralmente e o peito no machos é de um tom esverdeado, os subflava subflava perdem ligeiramente nas marcações laterais, mas ganham aos pontos no resto. São cor de fogo, apresentam listras oculares mais vivas.
Comparativamente… se ambas as subespécies forem apresentadas a concurso, existe uma forte possibilidade da subespécie mais colorida marcar mais pontos. Contudo, é tudo muito relativo pois depende da condição e plumagem quando as aves são apresentadas.
Já vi cruzamentos entre subflavas, ou melhor, subespécies, o que não é de todo aconselhável pois estamos a inviabilizar um determinado resultado e a destruir património genético (originar mestiços). Mas esta situação parece-me a menos comum, pois os lotes que vejo a chegar por aí ou são subflavas ou clarkeis.
Não era para criar esta espécie, acontece que me deparei acidentalmente com excelentes aves e tive de as adquirir. Espero colocar em breve fotos das aves.
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Fiz recentemente em Itália, uma das aquisições mais inesperadas da minha vida. Simplesmente não esperava deparar-me tão cedo com uma das espécies de Bicos de Lacre mais desejadas por mim: o Bico de Lacre de Barriga Amarela (Estrilda quartinia). A par do Estrilda melanotis, nonnula e erythronotus, a quartinia é uma das mais bonitas.
Tal como o próprio nome indica, este Bico de Lacre tem a barriga amarela (este é um dos pontos de distinção do dimorfismo sexual entre aves). A cabeça e parte do peito é cinza, enquanto que as costas são de um tom verde. As supracaudais são vermelhas. Esta ave no bico distingue-se das espécies comuns ou típicas uma vez que a mandíbula superior do bico é preta, enquanto que a inferior é vermelha.
Mais uma vez, como as aves têm pouco tempo em minha casa ainda não vou tirar fotos. Assim aguardarei mais um tempo.
Finalmente termina a época de reprodução 2011
Finalmente termina a época de reprodução. Confesso que foi um pouco desgastante, mas os resultados são sem dúvida surpreendentes. 2011 é de longe a minha melhor época de cria.
- - Bicos de Lacre :: A postura máxima foi de 6 ovos e a mínima de 4. Taxa de Mortalidade de 22%;
- - Bengalins da Índia :: Tive uma postura recorde de 7 ovos e a mínima foi de 4. A taxa de mortalidade é de 35%.
- - Faces Laranja :: Postura máxima de 5 ovos, mínima de 4 até ao momento. Taxa de Mortalidade de 44%.
Balanço:
Bicos de Lacre – 14 Juvenis
Bengalins da Índia – 20 Juvenis
Faces Laranja – 18 Juvenis
Total – 52 aves
Anilhas pedidas 2011 – 40
Nota: 12 aves anilhadas com anilha de 2010
A época não termina aqui. O sucesso depende dos cuidados que os criadores prestam às suas aves 365 dias por ano. Só assim é possível atingir uma época de cria de excelência.
Bico de Lacre de Bico Negro – Estrilda Rhodopyga
Fez ontem exactamente duas semanas que adquiri três casais de Estrilda Rhodopyga. Desconhecida por muitos e desvalorizada pela sua cor por outros, é uma das espécies de Estrildas que estava nos meus planos.
Já referi publicamente que este ano, é de longe o meu melhor ano pois conto com 52 crias (14 Bicos de Lacre; 18 Faces Laranja e 20 Bengalins da Índia). Neste momento tenho apenas duas ninhadas que ainda não foram anilhadas e das 40 anilhas de 2011 que havia pedido, também já gastei as que me sobraram de 2010. Tenho dois Bengalins da Índia sem anilhas. Quando pensava que a minha época de reprodução estava quase quase a terminar, noto que um dos meus machos Rhodopygas assumiu um comportamento territorial. Desde que chegaram ao viveiro, quase que não se dão a conhecer, estão sempre escondidos na vegetação, ou melhor, camuflados. Notei um dia, que andavam 4 aves na frente do viveiro e que estavam a ser perseguidas pelo tal macho. Ora esse macho estava acompanhado duma fêmea…. “Pronto” – lá pensei eu…. “a criação não vai ficar por aqui”. Coloco lá as fibra de coco e ervas e deixo o viveiro em paz.
Ao outro dia confirma-se as minhas suspeitas, lá estava já um ninho a meio da construção. Fiquei perplexo. Primeiro porque as aves ainda não estavam com a plumagem a 100% e depois porque ainda não tinham sequer duas semanas em minha casa. Hoje o ninho já está quase concluído e só me falta ver se esta espécie também constrói uma câmara superior para o macho. Não sei se vão pôr ovos e se vou ter sucesso, pois as minhas instalações não preenchem os requisitos mínimos paras as aves criarem de inverno. É frio, é húmido…. de qualquer modo estou completamente surpreendido, pois isto é anormal. A mistura que criei é adorada pelas aves e isso é nítido no meu pequeno sucesso pessoal. Não acredito que já vou ter crias este ano, até porque como já disse… não tenho condições. Os meus Faces Laranja queriam continuar a criar, separei os casais porque não quero ver crias a nascer e a morrer depois. Isso é frustrante. Como se costuma dizer: “Para o ano há mais!”
De qualquer das formas colocarei em breve as fotos do ninho dos Rhodopygas.
Vendedores de aves aproveitam-se “à bruta” de quem não tem conhecimentos
Apesar do tema do título deste tópico ser um bocado agressivo, chama a atenção para uma série de comportamentos conscientes por parte de quem nos tenta vender/impingir aves. É do conhecimento público que a grande maioria dos vendedores de aves (atenção que digo vendedores e não criadores) estão-se nas tintas se vendem dois machos por casal ou vice versa… o que interessa é vender sem olhar a quem. É claro que ao longo dos anos tenho passado por experiências semelhantes, mas com a entrada de um fluxo de aves provenientes do mercado negro, este tipo de comportamentos tem vindo a piorar, ora vejamos.
Ontem encontrei uma pessoa a vender três Laces Laranjas e abordei-a para perguntar valores das aves (era notório que as aves advinham do tráfico ilegal), lá me disse o valor do casal, perguntei então ao tal senhor:
- Qual o preço do casal de Faces Laranja (apesar de não precisar de adquirir novas aves para já, tendo eu 6 sangues em casa)? O senhor lá responde e lá lanço eu nova pergunta…
- Tem fêmeas? Ele responde:”Tenho, tenho!”
- (pergunto) Quais são? Lá responde ele – “É aquela ali, está a ver.”
- Em que é que se baseia para dizer que é uma fêmea? Ao qual o senhor responde: “é assim e assado….” estava a inventar, de Faces Laranja não percebia nada estava a tentar impingir o “tal casal” às pessoas, consciente de que só tinha machos”. Era visível no olhar do fulano que me estava a mentir, até porque ficou muito desconfortável. Era um verdadeiro aldrabão e como ele, existem muitos.
Moral da história – É verdade que neste momento estão a entrar aves no mercado e de proveniência menos digna…. quero é alertar para o facto das pessoas procurarem informação acerca das aves que gostariam de adquirir, para assim minimizarem o risco de serem enganadas. Já que falo em Faces Laranja, existem aves que são claramente dimórficas ( que se conseguem distinguir a olho nu, qual é o macho e qual é a fêmea) e outras que nem por isso. As aves não se distinguem pela cor ou prolongamento da “Face Laranja”, mas sim pela cor do peito. Os machos são de um cinzento limpo enquanto as fêmeas têm algumas infiltrações de castanho. Os machos têm por vezes um tom mais “alaranjado” no peito junto quase à cloaca. Não valerá portanto a pena procurar-se informar junto de um criador de confiança e mesmo adquirir-lhe aves, mesmo sendo mais caras? Não ficará mais caro comprar gato por lebre? Fica a reflexão…
Nova aquisição – 3 Casais de Estrilda Rhodopyga
Subiu para 4 o número de espécies do género Estrilda nas minhas instalações. Desta vez adquiri 3 casais de Estrilda Rhodopyga ou Bico de Lacre de Bico Preto como é vulgarmente conhecido. De facto, aos olhos dos menos atentos as semelhanças com juvenis da espécie comum são algumas, especialmente o bico preto.
É uma ave desconhecida da maior parte do público e a sua cor menos vistosa e o vermelho cor de ferrugem são factores claramente distintivos. Em termos de reprodução e manutenção é uma aves que depende menos de alimento vivo quando comparados com os Faces Laranja. Não são aves exigentes e até são relativamente fáceis de reproduzir. Quando puder coloco fotos. Continuo a procurar outras espécies e sobretudo, porque é isto que faz toda a diferença, procurar aves de qualidade, pois são muito poucas.

